Aconselhamento Psicológico

Textos e artigos

As várias facetas da migração

 

No meu trabalho percebo que muitas das mudanças resultantes de uma migração podem ser subestimadas. A maioria das pessoas parece não entender o que uma migração pode realmente significar, nem imaginar os possíveis impactos que essa mudança pode acarretar em suas vidas.

 

Afinal o que é migração? Eu gosto bastante da definição descrita no livro "Migrationssoziologie" de Ingrid Oswald. Segundo ela a migração não se resume a uma mudança física, e sim envolve o deslocamento do ponto central da vida, englobando uma mudança de lugar, da rede de relacionamentos e o contato com novas experiências de limites e fronteiras, sejam eles físicos como pessoais.

 

As razões que levam à decisão de migrar, assim como as expectativas de todos os envolvidos são extremamente individuais e impactam em todo o processo e seu desfecho. Alguns mudam de país em razão de sobrevivência, como quando afetados por catástrofes ambientais e guerras. Outros por motivos econômicos, como a luta pelo desemprego e sonho de uma “vida melhor”. Perseguição religiosa ou étnica no país de origem podem ser também motivos para a migração. Assim como motivação pessoal, que pode envolver trabalho, estudo, casamento, relacionamento ou família, por exemplo. Nos meus atendimentos me deparo frequentemente com uma combinação de motivação pessoal e razões econômicas.

 

Outro fator a ser considerado com atenção é o tipo de migração. Uma migração temporária se diferencia bastante de uma migração permanente. Caso planeje ficar um tempo limitado no novo país a pessoa pode não demonstrar o interesse em “se fixar” e nem se envolver muito com os habitantes locais. Ou pode ainda tentar tirar o máximo proveito da experiência através da exploração intensa do novo ambiente por meio de passeios e atividades, além do máximo de contato possível com os locais. Em se tratando de uma migração permanente a busca de raízes é quase sempre o foco.

 

Quem migra voluntariamente normalmente participa mais ativamente do processo de decisão com relação a fatores que envolvem a mudança e se torna mais aberto à nova cultura, o que é muito mais limitado, se é que possível, no caso de uma migração forçada.

 

Devemos considerar ainda a legalidade da migração. Estar com a documentação legalizada no país receptor abre portas para o migrante e facilita sua integração. Já a clandestinidade pode levar o migrante a optar pela reclusão, podendo gerar sentimentos de marginalidade e medo permanentes. Mesmo quando necessário, a pessoa pode evitar muitas vezes procurar ajuda por receio de ser denunciado e deportado, causando ou agravando problemas psicológicos e de saúde, por exemplo.

 

Como podemos observar cada migração é única, dependendo dos elementos que a compõe. Soma-se a isso os fatores individuais que cada migrante leva consigo na bagagem quando se muda de país: seu passado, sua história, relações familiares, traços de personalidade, características pessoais e expectativas.

 

São tantos os elementos envolvidos quando falamos em migração, que é praticamente impossível não tratarmos cada história individualmente. E é com esse respeito à individualidade que devemos abordar cada caso. Eu ouço muitos questionamentos sobre se a migração vai “dar certo”. E rebato perguntando o que é “dar certo”. Quando deixamos de lado o comparativo com as histórias alheias e focamos na nossa própria vida podemos reavaliar nossas expectativas, lançar um outro olhar sobre nosso caminho e traçar os passos necessários em direção ao que desejamos atingir.

 

Para alcançar os objetivos em um novo país pode ser necessário retroceder um pouco, se preparar, ganhar fôlego. E talvez começar ou recomeçar pequeno. Isso não é sinal de fraqueza e sim de força. Envolve gerenciar expectativas, aprender com erros e saber reconhecer cada pequeno passo, cada esforço, cada sucesso no caminho sendo trilhado. E continuar caminhando. Sempre.

 

 

Graziela Velardo Birrer

Aconselhadora Psicológica

Beraterin sGfB / Dipl. Körperzentrierte Psychologische Beraterin IKP

www.grazielabirrer.com 

 

 

*fonte: Platzer, M. (2012). Migration und Identität: Identitätswandel während des Migrationsprozesses. AV Akademikerverlag.

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